quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Blogmas 2017: Aceitação e a história do meu cabelo

agosto de 2004

        Desde bem pequena, eu tive problemas para lidar e gostar do meu cabelo. Isso se dava ao fato de eu não saber  arrumar o mesmo. Há 15 anos não existiam tantos produtos disponíveis e acessíveis no mercado para o cuidado específico de cabelos crespos e cacheados, sem falar que minha mãe tem cabelo liso, então eu passei anos invejando a praticidade e o caimento das madeixas dela.

começo de 2010

        Eu passava a maior parte do tempo com o cabelo preso ou o entupia de creme, pois como eu já disse, não sabia lidar com ele. Eu usava escovas que o deixavam com muito frizz e sem definição alguma. Até que um dia minha mãe me levou ao salão de beleza e a cabeleireira me deu duas alternativas: relaxamento, que tiraria a maior parte do volume que eu abominava, ou cristalização, que não tiraria tanto volume, mas deixaria os fios com mais brilho. Por não entender muito, acabei optando pela primeira opção.

novembro de 2011  
        Eu fiz o processo e o repeti por cerca de dois anos. Nas primeiras vezes, eu gostava do resultado, e principalmente por escovar o cabelo no fim da aplicação. Só que depois de um tempo, o resultado foi ficando desagradável e insatisfatório. O que antes eram cachos soltos e largos, começaram a se tornar ondas volumosas e estranhas, sem falar que os produtos químicos fediam a lixo. 

outubro de 2013
        No fim dos dois anos, quando eu já estava no primeiro ano do ensino médio, eu pedi uma progressiva de aniversário para os meus pais. A minha cabeleireira na época não achou muito recomendado, dado o estado do meu cabelo, então eu fui a outro salão e fiz. Depois de um mês eu cortei a franja, o que honestamente foi uma das piores coisas que eu já fiz. Era quase verão, então estava muito quente. Com o calor, eu transpirava, minha testa suava e a franja colava na minha cara.

fevereiro de 2015

        Eu me lembro bem de que em toda vez na qual eu iria retocar a química, minha mãe me pedia para cortar o cabelo. Mas como eu sempre fui apaixonada por mim de cabelos longos, só cortava dois dedos e o mantinha na cintura. Eu retocava a cada três meses, o que me custava R$ 1000 reais por ano. Eu tenho asma, então a cada retoque eu saia do salão praticamente sem conseguir respirar, devido ao cheiro forte dos produtos químicos. Por não fazer hidratações regularmente, os fios foram ficando danificados e no dia 30 de janeiro de 2015 eu fiz progressiva pela última vez. 

maio de 2015
        Depois de parar com o alisamento, eu decidi tentar voltar aos cachos, entrando assim em transição capilar. Admito que não foi um processo rápido ou fácil, ainda mais pra mim. Eu não sou do tipo que gosta de se arrumar muito, mas gosto de me sentir bonita, como qualquer outra pessoa. Neste período, eu aprendi a fazer penteados e tranças, além de texturizar a parte lisa.

agosto de 2015
        Sair na rua com a raiz cacheada e os fios alisados era torturante. E como eu estava no último ano, queria tirar fotos com os meus amigos e ter boas recordações das cerimônias de formatura. Eu não tive coragem de cortar tudo de uma vez, por mais que tivesse vontade, então no meu aniversário de 17 anos eu optei pelo comprimento nos ombros, pela primeira vez.

novembro de 2015
         No dia do baile de formatura, eu paguei para uma senhora fazer um penteado e maquiagem em mim. Eu não havia dormido na noite anterior por ansiedade pela festa, o que me levou a cochilar enquanto era arrumada. Eu expliquei para a senhora que estava em transição mais de uma vez, por ela ficar se oferecendo para fazer alisamentos no meu cabelo. Eu me lembro da moça me perguntar se podia aplicar um produto para "amaciar" meu cabelo e facilitar o trabalho. Eu disse que sim, já que estava caindo de sono e pensei que não haveria mal algum, certo? Mas quando cheguei em casa na manhã seguinte ao baile e tentei lavar o cabelo, descobri que a senhora havia passado um alisante na minha franja, mesmo que eu estivesse em transição.

março de 2016
         Depois do fim do ensino médio, eu me classifiquei no SISU, mas só iria começar o curso em maio. Eu quase não saia de casa nesse período, então não tenho muitas fotos. Mas um dia, em um surto que não se sabe se foi de coragem ou loucura, eu cortei sozinha todo o comprimento ainda alisado com uma tesoura escolar. Cortei tudo errado e meu cabelo está torto até os dias de hoje, mas eu não me arrependo de ter feito isso. Tudo torto, mas era eu. E pela primeira vez em anos, eu me senti livre.


setembro de 2016

        Eu ainda estava com a franja alisada, que eu revezava entre cachear e prender com grampos. Em setembro, durante uma aula de fotografia, nós tiramos fotos uns dos outros, e eu as utilizei por muito tempo. Meus cachos não tinham muito volume, mas estavam crescendo cada vez mais.

agosto de 2017

        Com o tempo, e comecei a prender a tal franja de outras formas e fui tirando o resto de alisamento aos poucos.

setembro de 2017
        Uma das coisas que mais me ajudaram durante todo esse tempo de mudanças foram as hidratações, nutrições e reconstruções. Confesso que eu não consigo manter um cronograma regular de cuidados, mas sempre que me lembro e posso, tento dar uma atenção especial aos meus cabelos.

novembro de 2017
        Uma ferramenta que eu descobri e se tornou um dos meus maiores aliados foi o café. Eu coloco três colheres de borra de café (o pó que sobra no filtro) no meu shampoo, e isso fez os fios crescerem muito mais rápido que o habitual. E não apenas eu notei a diferença, como as pessoas que me cercam. Aprenda aqui.

atualmente
        Não apenas cuidar, mas é preciso tentar amar cada pedacinho seu. Eu levei muitos anos para entender isso, o que me custou tempo, paciência e dinheiro. Você não precisa ser a cópia de outro alguém para ser bonito ou incrível, apenas seja você. De cabelo longo, curto, rosa, laranja, trançado ou raspado. Se não gosta de algo que pode ser mudado sem afetar a sua saúde física, psicológica, emocional, espiritual ou financeira, mude. Se não for possível, tente encarar de outra perspectiva. As vezes, o que pra você pode parecer um problema, pode ser ser algo magnifico, mas que você está olhando do ângulo errado. 
        E essa foi só uma parte da história, pois eu já descolori o cabelo, tive uma franja loira, tentei ficar ruiva (o que deu muito errado), e sem falar dos projetos que ainda não saíram do papel como as box braids azuis, cacheado e platinado, mechas coloridas, side cut ou até mesmo raspar por completo (sim, já considerei todas as opções). Quem sabe como estará o meu cabelo quando eu voltar? Se estamos em constante transformações, tanto internas quando externas, porque permanecer de uma forma se podemos ser infinitos?

GARCÍA, Luna

 

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